Só de ouvir falar em “Pós-Modernismo” eu sinto uma pontada no peito. Reflito se meu ser, meu eu inaccessível a mim mesmo, escondido nas sombras da minha própria consciência é um conservador arraigado. Apesar dessa tenebrosa desconfiança, vejo sinais de lucidez na aversão a alguns aspectos pós-modernos.
David Harvey cita Poggioli em “A Condição Pós-Moderna”: a vanguarda está condenada a conquistar, por influencia da moda, a própria popularidade que um dia desdenhou – e isso é o começo do fim.
Essa é a sensação que tenho ao analisar as tendências mais palpáveis. Pegue a música. Nesse campo cultural especifico, a asserção de Poggioli é flagrante. As bandas alternativas de hoje são os ícones do mainstream de amanha. Os ideais de hoje são deliberadamente trocados pelo “amadurecimento” que a fama e a popularidade trazem consigo.
O problema principal não é a alta rotatividade da moda, a fluidez extrema dos valores ou a efemeridade dos ícones. O problema é a aparente falta de evolução que as sucessivas vanguardas apresentam, acumulando informação e produzindo pouco conhecimento, como as sensações do mundo virtual – MSN, ORKUT, FACEBOOK, TWITTER, ? – A percepção de que cada nova concepção artística ou de expressão coletiva cultural está inserida invariavelmente, em diferentes graus, no paradigma comercial, faz vir à memória vanguardas ideologicamente fortes do passado; consistentes; claras; propositivas.
O PÓS-MODERNO se mostra cada dia mais intenso, plural, heterogêneo e... Vazio. O modernismo foi uno e pouco tolerante, mas claro em seu “core” valorativo, gostassem ou não dele. Não procedo a uma defesa da mentalidade moderna, muito menos, me oponho as liberdades ampliadas e as possibilidades incalculáveis da cultura pós-moderna. O que tento sublinhar é a característica comum das vanguardas.
Prometem a diversidade e o espaço para todos, a liberdade de representação estética, o reflexo do individualismo ampliado. Viva o diferente! Não há, entretanto, engajamento político, não há preocupação com questões sociais, não há, enfim, reflexão acerca do próprio paradigma. Toda moda parece destinada ao pop, ao lazer-produto, à arte consumo, ou a se tornar a marca distintiva de um grupo limitado, uma tribo, que grita o mais alto que pode em meio a todas as outras tribos, defendendo seu direito a ser diferente. Pouco, muito pouco.
Concordo. Há também o inverso, onde músicas do mainstream tornam-se hinos do ‘sou diferente’, só que isso costuma acontecer algumas décadas depois.
ResponderExcluirVejo as mídias sociais como ferramentas de grande potencial, como foi e ainda é a própria internet. Uma lástima que ao passo que a grande web se descontrói a cada um quarto de geração, as mídias sociais parecem não sair do estático. As ideologias não são mais fortes o bastante para amadurecerem como vanguardas, e se guardadas as proporções dos grandes movimentos culturais do passado, estão muito, muito longe de conseguirem.
Assisti à uma palestra de design. O francês de sotaque engraçado que estava em cima do palco arrancou umas boas risadas quando comentou sobre a evolução. Anos e anos de evolução, e ainda sim toda nova geração se considera a última, lá pelos 15 ou 16 anos. Talvez por isso nessa idade, ainda mais aqui, na metrópole maldita, estejam as maiores vítimas dos estilos musicais do agora. Vítimas que defendem com unhas e dentes isso que acreditam ser o topo da evolução. Na moda, é quase isso, só que com anoréxicas bibas maduras que mudam suas opiniões de estação em estação.
Abraço!
Ainda bem que Habermas não lê em português (Acho)
ResponderExcluirAcho que nos cabe pensar o que são vanguardas.
ResponderExcluirA titulo de ilustração coloco uma definição de dicionario "Vanguarda - Agente, grupo ou movimento intelectual, artístico ou político que está ou procura estar à frente de seu tempo, reletivamenta à acções, ideias ou experiências".
Fica aqui então a pergunta: na chamada pós-modernidade, podemos falar de vanguardas?
E Vanguarda.com
ResponderExcluirO trem bom
moda
ResponderExcluirmo.da
sf (fr mode) 1 Uso corrente. 2 Forma atual do vestuário. 3 Fantasia, gosto ou maneira como cada um faz as coisas. 4 Cantiga, ária, modinha. 5 Estat O valor mais freqüente numa série de observações. 6 Sociol Variações contínuas de pouca duração que ocorrem na forma de certos elementos culturais (indumentária, habitação, fala, recreação etc.).
A moda que observa a bagagem pós-moderna é a mesma que capta os sinais da macrotendência "taste slow". Hoje, ela está muito mais preocupada com o macroambiente do que em apenas consumir o efêmero.
O que realmente acontece com as vanguardas, por consequência dos tempos hipermodernos, é que vivemos uma grande troca de gostos, estilos e culturas diferentes para tornarmos únicos e talvez mais que os outros. O que para mim não soa nada anormal, já que essa necessidade sempre esteve ligada ao atual sistema. Mas o que me cabe aqui é deixar bem claro o que é a Moda e diferenciá-la em sua amplitude no que ela representa para os interessados e interessantes, daqueles que a interpretam da forma mais pré-conceitual, antiga e superficial perante a relação produto-consumo.
Hoje busca-se referências em qualquer lugar, diferentemente do passado, em que os mais ricos mudavam seu comportamento na medida que seus gostos chegavam nas classes mais abastadas. Com a velocidade dos meios de comunicação, as informações chegam muitos mais rápido às classes baixas, e daí a necessidade de se reinventar.
Vivemos sim o diferente e a diversidade, e um dos papéis da Moda é coletar essas informações, traduzí-las e mostrar o que está e voga. É dentro desse observatório de sinais que pesquisamos tendências e as lançamos. O que não quer dizer que elas irão se concretizar, naturalmente elas só tendem à.
Leigo, percebi a dimensão estreita do meu texto, que não levou em conta manifestações mais amplas de cultura e comportamento. Agradeço pelos comentários e pelo esclarecimento!
ResponderExcluirModa é coisa de viado!
ResponderExcluir