domingo, 6 de setembro de 2009

Politicopatia Generalizada

Sintomas

Passividade social em todos os níveis de articulação política, falta de informação precisa sobre a situação do poder político, propagação de mitos; desinteresse e banalização da gestão da rés pública

Causa

Tradição sócio-cultural de coletividade estratificada em classe dirigente (higienizada) e massa (popular); à classe dirigente lhe cabe gerir o poder à ela auferido no sentido de manter ou ampliar a estratificação, dando eventualmente sinais de que se recorda dos seus eleitores; a massa não suporta eleições e sente-se aliviada quando elas finalmente passam (o horário eleitoral televisionado é uma via crucis nacional); o dito popular “futebol, religião e política não se discutem” só é verificado para a última; parece existir um acordo tácito de inação social frente aos impropérios cometidos pelos parlamentares

Casos Recorrentes

O eleitor não se sente conectado à coletividade e pouco ou nada faz para contribuir (fora os desmedidos impostos) para com sua cidade; reclamações e divagações mal-fundamentadas são parte do cotidiano dos eleitores que pouco ou nada sabem sobre os cargos, encargos, atribuições, desempenho ou mesmo o nome de seus vereadores.

Tratamento

O grande interessado no processo – o eleitor – tem, em uma democracia, o poder legal de empossar, cobrar, verificar, corrigir, coibir e afastar do cargo maus administradores públicos: a base institucional é, todavia, insuficiente. É necessário maior amparo da mídia, mudança de consciência e de postura individual, “re-fundação" cultural que envolva todas as esferas da sociedade – se estamos falando de um tratamento conservador; considerando-se o substrato secularmente acomodado da sociedade brasileira, a alternativa – de um tratamento mais agressivo e radical – uma revolução política, ainda que pacífica, parece surreal demais.

Contra-Indicação

Contra indicado aos que esperam manter o cenário de profunda alienação política ou aos que, por nada fazer, contribuem para essa manutenção. À classe dirigente decantada por Darcy Ribeiro e que vê com bons olhos quando “Nessas condições exacerba-se o distanciamento social entre as classes dominantes e as subordinadas, e entre estas e as oprimidas, agravando as oposições para acumular, debaixo da uniformidade étnico-cultural e da unidade nacional, tensões dissociativas de caráter traumático”. Contra-indicado, por fim, a todos os hipócritas que colaboram, de um modo ou de outro, para vivermos nessa sociedade de castas – os políticos – e nós.

José

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Uhmm... na verdade,